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A mostrar mensagens de Agosto, 2012

Toponímia inventada (I): a Costa da Morte

Há casos de toponímia inventada. Por inventada refiro-me ao facto de não ter sido produzida de forma coletiva polos povos ao longo dos tempos e assentada pola ação mesma de nomear os lugares — mas imaginada por uma pessoa ou por um grupo muito reduzido de pessoas e só depois aceitada e reproduzida através de mecanismos exógenos ao que seja a normal evolução das línguas. A nota de hoje é o primeiro dos exemplos que quero trazer a este caderno: o corónimo Costa da Morte.

Mitos de fundação: o caso da Galiza.

É comum, entre os filólogos e os etimólogos, rechaçar as etimologias populares e fantásticas que em ocasiões se dão para algumas palavras, nomeadamente topónimos, e que contaminam a informação histórica e linguística que esses topónimos possam oferecer. É um procedimento científico, necessário. Mas também não deixa de ser interessante notarmos essas etimologias populares, por vezes de grande valor etnográfico, desde que se clarifique o seu carácter precisamente fantástico. A imaginação dessas etimologias responde a maioria das vezes à mesma necessidade de explicar a realidade que, com mais elaboração, origina mitos e mitologias. Outras vezes, o que há é uma interessada política narrativa que encontra nas fundações heróicas e nas origens fantásticas um lugar para a expressão do que se quer que seja a grandeza de uma cidade ou de uma nação.