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A mostrar mensagens de Janeiro, 2012

Falsos fitotopónimos

Quantos nomes de lugar há que sejam Carvalho? Quantos Pinheiro? Quantos Sobreira, quantos Figueira, Nogueira ou Moreira? E, porém, como suspeita José da Cunha, não são elementos vulgares de mais para darem nome a um lugar? Não são elementos que há por toda a parte e, por isso mesmo, inúteis para significar com o seu nome um espaço geográfico com as exigências que isso comporta? Será que há falsos fitotopónimos? Pois, vejamos.

O próprio Cunha resume o processo de maneira dificilmente melhorável: "não dão nome às coisas, absorvem o nome de outras coisas". Assim parece que seja, com toda probabilidade, em diferentes casos. De modo que Castanheira seria, por exemplo, uma forma assimilada de costaneira, como lugar do início de uma encosta. Esse costaneira assimilar-se-ia ao fitónimo castanheira por duas leis fundamentais das línguas: a economia da linguagem e, quando menos até ao século XIX, a extrema variabilidade toponímica de uma área para outra (falando, inclusive, em áreas …

Mesão do Bento, não do Vento

Já se falou em diversas ocasiões do modo como a ignorância premeditada que instituiu a ditadura fascista no Estado espanhol trouxe para a Galiza importantes consequências no âmbito concreto da toponímia. Às castelhanizações, que foram deturpações consabidas e, portanto, bárbaras, há que somar outras fórmulas como a de ir à toa segmentando falsos artigos (v. Artigo ou mutilação) ou trocando significados, com o caso espantoso de Ninho d'Águia. O que ocupa outra nota é mais um exemplo desta fórmula da ignorância premeditada, de como se esvaziaram de conteúdo as nossas referências.



O caso das posses "do Bento", como Casa do Bento, Mesão do Bento, Moinho do Bento, etc. é similar ao do ninho das águias. Ao escreverem os poderes Vento com "v" remetem literalmente para o ar em movimento, estabelecendo um significado poético e dando origem ao isso que se denominam "etimologias populares". E, porém, é claro que em lugar do Vento o que há aí é um Bento, do latim

Topónimos germânicos (V): terminações em -sende e -sinde

Vai mais uma peça sobre as terminações de topónimos derivadas de genitivos germânicos, nesta ocasião referidas a -sende e -sinde. Estas terminações correspondem-se com os lemas paleo-germânico *senþaz 'companheiro' ou *swenþaz 'forte', e com elas, aparecem nos limites da antiga Gallaecia mais de meio cento de topónimos diferentes, sem contar os microtopónimos, cuja extensão ultrapassaria as possibilidades desta nota. Antes de mais, porém, interessa destacar que a raiz *send / *sind aparece na antroponímia tanto como protema (com -e-: Sendamirus, Sendericus, Sendinus, Sendredus, Sendulfus; e com -i-: Sindamundus, Sindigis, Sindileuba, Sindiverga, Sinduara) quanto como deuterotema, o que explicará a terminação -sende/-sinde que vamos analisar a continuação:


Equivalências diretas A maioria dos topónimos não apresentam qualquer complicação à hora de dar uma equivalência segura. É o caso de Ermosende (conc. Viveiro), com procedência segura de Ermosindus, igual que Ermesende