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A mostrar mensagens de Julho, 2012

O poder de nomear

Um anúncio da Junta da Galiza a respeito da toponímia galega está a gerar já alguma controvérsia, com expressões, como a de Carlos Callón, que sobardam a incredulidade para qualificar a medida de puramente cínica. Quem habitar na Galiza saberá que a toponímia é um âmbito em conflito permanente entre, de uma banda, as práticas colonizadoras assentadas durante décadas pola ditadura e polo capital, com mais força quanto maior for, não por acaso; e, de outra, a vontade de reapropriação popular do que lhe é próprio, que é a faculdade de nomear. Que a direita espanhola a governar na Junta da Galiza apresente agora uma medida como esta é cinismo puro, tem razão Carlos Callón. Mas, sobre a faculdade de nomear e sobre a importância que isso tem, quero apenas extractar a continuação um trecho escrito por Xoán Carlos Lagares Diez num texto intitulado Sobre a noção de galego-português.

Toponímia árabe (I): o tema sidi

Comecemos esta primeira nota sobre toponímia árabe centrando-nos no tema sidi, do árabe sayyid ("senhor"), que deu, evolutivamente, a forma *zide (var. *side, *xide) que aparece tanto na Galiza como em Portugal habitualmente como segundo elemento de um topónimo composto. Na Galiza, figuram Abuzide, Cazide, Cardezide, Carpazide, Carrazide, Carrozide, Casal de Zide, Crezide, Donzide, Lamazide, Lamarzide, Menzide, Mouzide, Pranzide, Pedrouzide, Salzide, Teizide, Touça de Zide, Vila Zide e Vila Perzide. Aparecem, aliás, Codeside, Louside e Maside, e também, finalmente, Ameixide, Bugide, Caxide, Eigide, Freixide, Gugide, Lexide, Maxide, Meixide, Taxide, Teixide, Vigide, Gegide e Tojide, que tentaremos explicar.