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A mostrar mensagens de Novembro, 2011

A Crunha: promontório ou fundação divina?

Já se anunciou no artigo anterior e, como uma das minhas paixões é a toponímia (paixão estranha, sei), já é hora de falar da Crunha (graf. isol. A Coruña) e das suas possibilidades etimológicas. Na nota a respeito da toponímia de Compostela já se avançava a ideia de que as interpretações etimológicas de determinadas palavras, e nomeadamente de alguns topónimos, têm mais a ver com a exigência comercial do turismo do que com a linguística. Pode que muitos topónimos fiquem à margem dessa influência espúria, mas, sem dúvida, onde haja turismo haverá também interpretações para todos os gostos. A Crunha, evidentemente, não vai ser uma exceção.

À partida, há quem assinale (Caridad Arias, 2004: 288) uma etimologia relacionada com o titã da mitologia grega Crono (Κρόνος, não confundir com Chronos: Χρόνος), através da equivalente forma celta de Cruinne, que apresenta a característica antecipação celta do -i- desinencial da forma *Crunni. Esta hipótese situa o topónimo na época de comércio grego…

Artigo ou mutilação?

Eu cheguei ao estudo da toponímia ao ver como, em multidão de casos, os nomes de lugar do meu país estavam incorretamente escritos. Não estou a falar do modo como o fascismo espanhol se dedicou selvagem e alegremente a deturpar a toponímia galega, mas de como, amiúde, os próprios utentes do português galego, nomeadamente durante a época conhecida como Séculos Escuros, mas também antes, começaram a perder constância da morfologia e do significado de alguns dos seus topónimos. Em concreto, referirei-me ao caso da toponímia composta por falso artigo + nome.

Não há regras Em primeiro lugar, vaia por diante, não existe em português qualquer regra referida ao uso do artigo antecedendo topónimos. O uso é que faz a norma. E, com o uso, há topónimos que costumam levar artigo, como o Porto, e outros que costumam não levar, como Vigo. Há quem sustenha que a aparição do artigo se produz naqueles topónimos em que o nome tem um significado certo para o falante. Isso aconteceria, por exemplo, com a…

Compostela: necrópole ou entulheira?

Vamos começar por um topónimo, dos mais controversos e, para mim, dos mais interessantes, por ser o nome da cidade em que moro e da capital do meu país, cujo nome, Galiza, iremos analisar noutro momento.

Vaia, em primeiro lugar, uma alerta: o nome Compostela está a desaparecer ou, pior, a ser desaparecido nos últimos tempos, primeiro mediante a imposição da fórmula "Santiago de Compostela", e, já agora, mediante a substituição direta do topónimo pelo hagionímico de Santiago (do latim Sancti Jacobi, via galego-português medieval Sant-Iago, atual São Tiago), o apóstolo de Cristo pretensamente (sendo generosos) soterrado no lugar que hoje ocupa a impressionante catedral. O resultado é que muito pouca gente chama hoje a cidade polo seu nome, e que numa grande proporção dos mapas que circulam polo país aparece já simplesmente a forma Santiago. Sou dos que pensa que esta substituição não é por acaso, mas isso é outra história para se contar noutro momento.


O campo da estrela Vaia…